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VIII Semana da Diversidade - Recomeçar do Avesso

  • Publicado: Terça, 19 de Abril de 2022, 16h45
  • Última atualização em Quinta, 05 de Mai de 2022, 11h22
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Recomeçar do Avesso

Começamos a pensar esta VIII Semana da Diversidade do IFSP Matão a partir de uma ideia de retorno ao início. Isso porque, depois de tantos anos de Semana da Diversidade, de tantas palestras, oficinas e ações, ainda presenciamos, em todos os lugares, atitudes e comportamentos que negam o direito à humanidade plena a tantas pessoas. É claro que nunca tivemos a pretensão de fazer do mundo, ou ao menos do IFSP Matão, um paraíso perdido. Contudo, a diversidade de ideias e ideologias presentes em uma escola, apesar de sua riqueza, tem também suas tormentas. Diante disso, buscando somar esforços na luta pelo direito à vida de todos e todas, acreditamos que precisamos começar novamente.
Começar vem do latim, da palavra CUMINTIARE. De onde CUM quer dizer junto e INITIARE, iniciar. Só existindo assim uma forma de começar: juntos, nunca sozinhos. Do mesmo modo, juntos seguimos a ideia de UBUNTU que tem em seu cerne algo de muito filosófico a respeito do que quer dizer ser humano: “um ser humano só se realiza quando humaniza outros seres humanos”. Sem isso, talvez nem pudéssemos, então, chamarmo-nos humanos.
Re-começaremos, pois. Lá do início. Juntos. Em busca de autoconhecimento e de formas de desfrutarmos nossas potencialidades humanas. Mas, caminhar pela mesma estrada não nos leva aos mesmos lugares? Quais caminhos trilhados que nos tornaram o que somos? E se pudéssemos andar às avessas, daríamos em outras paisagens? O que se esconde do lado do avesso? Existe aí uma potência?
O conceito de avesso nos traz muitas imagens: o avesso das roupas; o avesso da pele; o avesso de um bordado; a pipoca…
A pipoca é o avesso do milho. Rubem Alves nos fala da potência da pipoca: ela é a pura transformação! Do milho duro e improdutivo, à flor macia e branca plena de uma brincadeira infantil. Por isso é também símbolo do Candomblé e mesmo da ressurreição de Cristo. A pipoca guarda em si toda a potencialidade de quem passou pelo fogo, pela pressão e transformou-se em outra coisa. Aliás, já repararam que uma pipoca nunca é igual a outra? Tem pipoca que parece elefante, nuvem, cachorro… as pipocas sempre se transformam em muitas outras coisas. Essas coisas, para o autor, têm a ver com a infância, já que “Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira…”
Se estamos na infância, retornamos mais uma vez ao começo, pois o que é a infância senão a possibilidade de voltar ao início? Não me refiro à nossa infância, aquela de quando éramos pequenos, que ficou no passado, mas à infância enquanto uma possibilidade real de qualquer pessoa em se colocar novamente no início das coisas e olhar o mundo com olhos curiosos de quem acabou de chegar.
Como uma criança vê um casal homoafetivo? Um indígena? Uma mulher negra? Certamente, se ainda não lhe foram inculcados os preconceitos, ela os vê de forma a desconstruir todos os estereótipos que nós, adultos, trazemos à tona em nossos julgamentos.
Fica então o convite adjacente a esta semana: que possamos estar em estado de infância, que é o mesmo estado da arte, da poesia, da curiosidade e das diferenças. Que esse estado, longe dos conceitos preconcebidos, nos faça querer estar com as diferenças, como disse o psicanalista e filósofo Félix Guattari, “Não se trata de aceitar o outro em sua diferença, mas de desejar o outro em sua diferença”. Esse é o desejo de todos e todas que planejamos essa semana. Que todos nós possamos ser pipoca, para sairmos de nossa casca dura e fechada, rumo às tantas possibilidades de vida. Rumo às diferenças e à diversidade.

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