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Pesquisa em Agroecologia e Economia Feminista

Publicado: Sexta, 14 de Julho de 2017, 15h30 | Última atualização em Terça, 18 de Julho de 2017, 14h54 | Acessos: 734

 Publicações

 

NEA IFSP Matão e a Economia Feminista:

A divisão sexual do trabalho na agricultura é um dos temas centrais colocados em pauta por diversos movimentos sociais de luta pela terra, pelos movimentos e redes voltados a discussão acerca da recomposição das agriculturas ecológicas, em especial, a agroecologia e pelos movimentos feministas, apontando caminhos para a agenda de gênero deste debate. Tais alterações, pautadas por todos esses grupos representantes da sociedade civil, apontam para um aspecto importante, de que, as mulheres ocupam uma posição subordinada e seu trabalho aparece como ajuda mesmo quando elas trabalham o mesmo tanto que os homens ou executam as mesmas atividades.

Com a pretensão, portanto, de incorporar aos estudos das agriculturas ecológicas, em especial a agroecologia, uma reflexão crítica epistemológica e metodológica da economia clássica e neoclássica, passa a existir como imprescindível para a decomposição de alguns pressupostos teóricos, a verificação da possibilidade de uma nova composição, para portanto permitir a proposta de uma recomposição teórica a partir de bases que possam reconhecer o trabalho das mulheres agricultoras como imprescindível para o desenvolvimento rural no Brasil.

Supondo ainda, que um dos principais fatores que contribui para esta exclusão, é a falta de reconhecimento dos trabalhos realizados pelas mulheres rurais, especialmente aqueles que não se constituem enquanto renda monetária, o objetivo com os estudos propostos é, justamente, reconhecer epistemologicamente o locus de trabalho dessas mulheres rurais, bem como aferir a quantidade de trabalho realizado, que contribui para a composição da renda monetária e não monetária do rural. 

Assim, para além da possibilidade de alteração na situação de invisibilidade do trabalho das mulheres rurais - tanto o trabalho reprodutivo quanto o trabalho produtivo -, a partir dos estudos propostos,  busca-se delimitar e medir os territórios, bem como as atividades econômicas também invisibilizadas, ou seja, dentro das unidades familiares de produção rural, qual a contribuição das mulheres para a oferta de recursos; desses recursos, quanto vai para o mercado (monetário) e quanto contribui para o desenvolvimento sem essencialmente compor esse fluxo de capitais.

A pesquisa proposta utiliza-se das Cedernetas Agroecológicas e estão sendo realizadas simultaneamente, na região do Vale do Ribeira e junto ao Assentamento de Córrego Rico, localizado no município de Jaboticabal, região central, ambas no estado de São Paulo. No Vale do Ribeira, 40 mulheres serão acompanhadas no uso das Cadernetas Agroecológicas e 12 mapas estão sendo construídos. No assentamento de Córrego Rico, em Jaboticabal, são acompanhadas 20 mulheres no uso das cadernetas e 8 mapas construídos.  
 

Cadernetas Agroecológicas:
 

A Caderneta Agroecológica, já difundida nas áreas de atuação do NEA IFSP é utilizada para a valorização da produção não transformada em renda monetária. Essa metodologia caracterizada como pesquisa-ação contribui no levantamento de dados necessários às análises propostas assim como auxilia as mulheres na valorização e reconhecimento de seu trabalho na produção agroecológica. Nas próprias cadernetas, as mulheres anotam, diariamente, a quantidade de alimentos produzidos pela família, diferenciando entre aqueles vendidos ou trocados daqueles consumidos ou doados. Ao final do mês, os produtos são convertidos em valores de mercado pelas próprias mulheres, permitindo, com isso, valorar e avaliar a real participação do trabalho da mulher, na produção agroecológica, com relação à produção para autoconsumo e na geração de renda familiar, monetária e não monetária. São definidos também quais os dados devem ser anotados e como, para posterior padronização dos mesmos por parte da pesquisadora responsável. Por exemplo, o preço anotado deve ser aquele que a mulher realmente recebeu pelo seu produto, para posteriormente ser comparado com os valores presentes nos mais diversos mercados, entre eles local, institucionais, centros de abastecimentos, além dos demais que forem julgados necessários. O acompanhamento das Cadernetas é realizado através de visitas individuais, bem como por oficinas. Todas as ações para tal monitoramento são registradas através de relatórios e material fotográfico que passam a compor a base de dados do NEA IFSP. A caderneta tem ainda a potencialidade de demonstrar as características do trabalho produtivo da mulher. É possível caracterizar quantitativamente os quintais produtivos; tamanhos, espaço, biodiversidade, entre outros elementos de interesse produtivo e econômico.

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Natália agricultora bolsista do NEA com sua Caderneta Agroecológica em Reunião de implantação das Cadernetas no Vale do Ribeira realizada em fevereiro de 2017. Créditos da Foto: Alexandra Filipak

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