Ir direto para menu de acessibilidade.
Página inicial > Últimas Notícias > Onde Lavoisier e Van Gogh se encontram
Início do conteúdo da página
Últimas notícias

Onde Lavoisier e Van Gogh se encontram

  • Publicado: Segunda, 21 de Novembro de 2022, 07h51
  • Última atualização em Segunda, 21 de Novembro de 2022, 07h51

Onde Lavoisier e Van Gogh se encontram é a mostra dos trabalhos realizados pelos 2os anos dos cursos de Ensino Médio Técnico Integrado em Química, Açúcar e Álcool e Alimentos deste campus, com exposição e curadoria realizada pelo 3º ano de curso Técnico em Química. Os trabalhos aqui expostos utilizaram reações de oxirredução em sua produção - uma ideia gerada a partir da pesquisa dos professores das áreas de Química, Dr. João Romero e Dr. Eduardo Carneiro, e da professora de Arte, Dra. Christiane Tragante.   

O título dessa exposição traz o nome de duas grandes referências em suas áreas: Lavoisier e Van Gogh, fazendo alusão à união da Arte e Química, por meio das reações de oxirredução e dos elementos visuais.

Uma reação de oxirredução é uma reação em que há troca de elétrons entre reagentes, onde quem perde elétrons oxida e quem os ganha, reduz. Na produção dos trabalhos foram usados metais diversos escolhidos pelos estudantes e três reagentes: KMnO4 (permanganato de potássio) para deixar marrom, ou preto; CuSO4.5H2O (sulfato de cobre pentahidratado) para deixar azul esverdeado e HAc (ácido acético) que, na presença de ferro, gera as cores laranja ou marrom.

Boa parte da atividade artística debruça-se sobre um fazer experimental com materiais diversos buscando a expressão do mundo sensível por meio dos elementos plásticos, sonoros e linguísticos. Neste âmbito, Química e Arte, ainda antes de serem categorizadas como áreas distintas, já se relacionavam na produção de conhecimento e no desejo de expressão da humanidade: desde a produção de pigmentos naturais da arte pré-histórica, passando pela pesquisa pela duração e conservação dos bens artísticos materiais, até as novas experimentações da arte contemporânea. Não à toa, chamamos essa produção de Artes Plásticas. Uma vez que a expressão artística acontece por meio do manuseio de diversos materiais, ou seja, por meio do ofício de plasmar, de dar formas expressivas aos diversos materiais, seria incontestável a necessidade de se saber entender e controlar suas propriedades. Este é o exato lugar onde Lavoisier e Van Gogh se encontram, ou seja, onde Química e Arte andam juntas.

As obras aqui presentes não começaram a ser produzidas com as reações, mas muito antes em um longo processo químico e artístico. Na disciplina de Química foram apresentadas as reações de oxirredução, enquanto na disciplina de Arte os estudantes aprenderam a respeito da poética pessoal (maneira de percepção pessoal da realidade) e processos de criação. Esses estudantes trilharam uma longa jornada:  em seus cadernos de registro anotaram as impressões que tinham sobre as reações de oxirredução com diversos metais; fizeram um mapa mental a partir de suas lembranças com objetos oxidados; desenvolveram ideias sobre como compor o trabalho nas telas; montaram um esboço à partir de sua própria poética e só então foram para o laboratório. Após todo esse processo, os objetos metalizados escolhidos foram dispostos na tela junto dos reagentes. A reação ocorreu em torno de cinco dias e os estudantes foram acompanhando o processo por meio de registro fotográfico e textual.

Quando pensamos em objetos oxidados nos lembramos do tempo cronológico. Coisas velhas, mudança de matéria, o passar de dias, meses e até anos. Essas foram as ideias mais exploradas pelos estudantes: o tempo. O tempo que passa e que com ele tudo consome. O tempo relativo: que passa rápido, às vezes devagar, mas sempre passa. Suas consequências podem ser enormes, desde o fim de um objeto ou um material, até o começo de outro. E, algumas vezes, o fim e o começo se encontram no mesmo lugar nos lembrando a imagem de Ouroboros - da serpente que morde a própria cauda. Fim e início. Transformação. O fim de alguns objetos oxidados deu o início a únicas obras de arte, únicas ideias e expressões de particulares pontos de vista, a únicos prólogos da alma de alguém. Obras que, cedo ou tarde passarão, ou se transformarão, mesmo que por determinado tempo fiquem vivas em nossas memórias.

q1q2q3

registrado em:
Fim do conteúdo da página