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IV Semana da Diversidade do IFSP Matão

  • Publicado: Quinta, 05 de Abril de 2018, 17h31
  • Última atualização em Terça, 17 de Abril de 2018, 15h20

IV Semana da Diversidade do IFSP Matão: “Desenhando as diferenças”

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Estamos já na metade de abril. Os ventos do outono começam a trazer mudanças e com eles chega a nossa IV Semana da Diversidade do IFSP Matão.
Neste ano, nosso cartaz traz um desenho feito à mão. Depois de muito esboço, traçamos crianças, idosos, mulheres, jovens, baixos, negros, transexuais e até um coelho! Uma pequena multidão feita de múltiplos, de inúmeras diferenças – de cultura, raça, etnia, gênero, orientação sexual. Diferentes maneiras de ser, de viver, de trabalhar, de se vestir, de se relacionar, de amar... Junto do desenho, um slogan: “Desenhando as diferenças”.
Mas por que desenhar?
Desenhar é uma palavra que tem sua origem no latim DESIGNARE que significa planejar, imaginar, no sentido intelectual ou mental. Fica fácil entender seu significado quando pensamos no design, área que planeja e imagina objetos e outros produtos. O desenho, neste sentido mais amplo, está associado à atividade de projetar, como o fazem os vários profissionais que, ao desenhar, projetam roupas, casas, joias e objetos em geral, e também como fazemos muitos de nós quando queremos mostrar para alguém algo que ainda não existe: desenhamos. Assim o slogan na nossa IV Semana da Diversidade “Desenhando as diferenças” pode tranquilamente fazer sentido. Quando desenhamos, estamos planejando, projetando algo que terá sua forma física no futuro. Se começarmos hoje a desenhar as diferenças, amanhã teremos os frutos deste projeto.
Certo? Não exatamente. Explico melhor: já há algum tempo a educação se faz com projetos de futuro. Nessa perspectiva, vamos educando nossas crianças para serem o “futuro da nação” e pouco olhamos para quem elas são hoje. Assim como os jovens que nunca são. Sempre serão: futuros médicos, professores, advogados, veterinários e etc. Com isso vamos criando cada vez mais gerações e gerações de estudantes alienados de si mesmos, em constante vir a ser. Estamos o tempo todo apostando na educação enquanto formação, e o que quer dizer formar? Significa tomar forma, entrar na “fôrma”. Transformar os corpos múltiplos, diferentes, em idênticos. Chegar a um consenso. Ao mesmo. Conviver. Tolerar. É por isso que não usaremos a ideia de desenhar enquanto um projeto de futuro, mas optamos por pensar o desenho por seu segundo significado.
Para além de projetar, desenhar também significa riscar, experimentar, marcar o papel, deixar um rastro, traçar. É nesta chave que estamos pensando a possibilidade de “Desenhar as diferenças”. Ao invés de um vir a ser, pensamos o desenho como criação constante. Uma marca que se faz no hoje. Um espaço para o que já se é. Uma marca que difere, distingue. Ao invés de pensar a educação pelo viés da ausência, da falta (uma criança que ainda não é adulta ou um jovem que ainda não é formado), propomos, nesta semana, deixar os rastros em desenhos que, feitos em conjunto, exibem as marcas distintas de cada um numa criação coletiva. Traçar a multidão, não massa indistinta, mas encontro de muitos. Desenhá-la enquanto corpos desejantes. Não desejantes pela falta de algo, mas desejantes porque estão em movimento constante e porque no desejo se produz algo, se criam realidades, sem desejos, nada se cria. Traçar como um processo desejante de criação do real. Não estamos aqui para pensar um risco certeiro, com caneta. Nesta semana queremos ter espaço para riscar e arriscar. Queremos desenhar e destacar uma multidão que ama e cria as mais diferentes formas de ser e viver. Hoje. Agora. Ainda nesse outono.

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